Virginia Spinassé*
Aconteceu
em São Paulo, no Transamérica Expo Center, dias 17, 18, 19 e 20 de agosto de
2015, o CONARH – maior congresso de Gestão de Pessoas da América Latina,
segundo maior do mundo.
Três
mil congressistas e mais vinte e cinco mil visitantes circularam entre
palestras, patrocinadores, expositores, filmes, editoras – tudo voltado à
Gestão de Pessoas.
O
tema de 2015 foi: A ARTE DA GESTÃO DE
PESSOAS: desafios, incertezas e complexidade.
O
congresso começa com a apresentação dos resultados do Fórum dos Presidentes,
que antecede o CONARH e reúne CEOs de
empresas de expressão no cenário nacional e internacional. Em 2015, 144
presidentes responderam a uma pesquisa que teve o resultado analisado no fórum,
onde a presença do Ministro da Fazenda Joaquim Levi foi de grande relevância,
especialmente em um cenário de crise em que vive o Brasil. Vale ressaltar,
entre alguns resultados, que as empresas concordam sobre as prioridades para o
Brasil: educação; necessidade de melhores resultados da Gestão do Setor Público
e que a qualificação dos profissionais é um dos fatores que mais afeta a
produtividade das organizações.
Os
Presidentes da Alpargatas e do Grupo RBS falaram a respeito dos resultados,
deixando claro que as empresas menos contaminadas pela crise que afeta o Brasil,
são aquelas que têm as melhores pessoas. Os profissionais de RH devem ser PROTAGONISTAS, e isto significa:
identificar e reter as pessoas (talentos) que farão a organização ir em frente
e mudar a cultura - revendo a maneira de ser e fazer.
Entre
as dez palestras magnas, treze simultâneas, setenta e uma dos patrocinadores,
além de quatro exibições de filmes com debates, destacarei alguns pontos de
algumas das palestras que escolhi assistir.
Bernardinho,
Técnico da Seleção Brasileira de Vôlei Masculino e do Time Rexona-Ades de Vôlei
Feminino, fez a palestra “Excelência, Conquista e Sustentabilidade” falando
sobre o papel do líder nas organizações, frisando que liderança se faz com comunicação
transparente, pois, o que une e fortalece é quando cada um sabe o que e por que faz. Para ser grande é necessário ter determinação
e foco, treinar muito e conhecer bem a equipe. O líder é aquele que não permite
transgressões e isto significa que ele tem que dar exemplo, não é fazer apenas
o que é conveniente, mas fazer o que é certo! O líder tem que ser o PROTAGONISTA!
Leando
Narloch – jornalista e escritor e Marcelo Lomelino da Nhanderú Serviços de
Consultoria falaram sobre os “Desafios, Incertezas e Complexidade em nossas
Relações Trabalhistas”. A visão desses profissionais é de que a Legislação
Trabalhista do Brasil não protege o trabalhador. Tem mais de setenta anos e é
percebida pelos trabalhadores como protetora. Entretanto, faz parte de um
sistema antigo em um mundo que tem se modificado com muita velocidade. Os
profissionais de RH precisam conhecer as leis e negociar com um sistema que não
tem pretensão de se modificar. O trabalhador necessita compreender que só é possível
facilitar a vida do empregado se a vida dos patrões também for facilitada. Com
a atual legislação e a carga tributária, a sensação é que a empresa é punida
por contratar. Muitas empresas vão morrer não por fazer as coisas erradas, mas
por fazer as coisas certas por um tempo longo demais!
Dony
de Nuccio – Economista e Apresentador do Programa Conta Corrente da Globo News
fez a palestra: “E agora Brasil? Desafios e Oportunidades no Cenário Econômico
Atual”. De forma divertida e muito consistente mostrou em números que a crise
não é para amadores e que ela chegou ao nosso dia a dia. Porém, o Brasil ainda
é um país de oportunidades. Sugestões de Dony De Nucci para o momento de crise:
Tenha olhos de tigre, monte um time vencedor, adapte-se, seja eficiente, foque
na execução, surpreenda - encante - fidelize, INOVE! Tudo depende de como se
encara a crise. Temos condições de sair da crise melhor do que entramos.
Sejamos PROTAGONISTAS!
Marcelo
Torres, Administrador de empresas, maestro e trompetista, fez palestra com a
Jazz Band: “O líder fazendo arte” onde comparou a banda de jazz e seus
instrumentos a uma organização e os seus componentes. Cada participante é
fundamental na execução das músicas e a condução do maestro (líder) é de grande importância para dar sentido ao que é executado. Comparando com a vida profissional, podemos fazer o que
quisermos com o nosso instrumento de trabalho (talento) e devemos arcar com as
consequências desse uso. Evidentemente alguma coisa pode dar errado, então, devemos
ser PROTAGONISTAS, assumindo e
aprendendo com nossos erros e transformando o fracasso em sucesso.
Cassio
Mattos – Vice Presidente Administrativo Financeiro da ABRH Brasil e Eladio Uribe
– Presidente do Conselho Consultivo da Fidagh e Jorge Jauregui – Presidente da
WFPMA, falaram sobre os “Cenários de Gestão de Pessoas: Visão Global e Latino
América” baseados na pesquisa da Consultoria Micro Power (http://www.learning-performancebrasil.com.br/).
Entre os resultados da pesquisa, fica claro que as organizações que trabalham a
gestão do capital humano estão se saindo melhor com os resultados. Os pontos
que precisam de atenção foram classificados da seguinte forma: 1-
Desenvolvimento de Líderes; 2- Administrar e lidar com a mudança; 3- Retenção
de talentos; 4- Comunicação Interna; 5- Produtividade; 6- Gestão do desempenho.
Interessante que, segundo a pesquisa, a comunicação interna, além de ser um dos
pontos que precisa de foco, vai influenciar também na gestão do desempenho já que
uma das causas da dificuldade na execução das tarefas é a comunicação.
Miguel
Vives, Presidente da Walt Disney no Brasil, fez a palestra “A arte de engajar e
encantar!” e encantou a todos com a sua paixão e envolvimento pelo que faz. Para
transformar a organização é preciso focar no cuidado com a cultura organizacional
(que pode ser mudada); investir na comunicação interna; ter cuidado genuíno com
as pessoas; ser líder em tudo que faz.
O
Dr. Drauzio Varella nos brindou com a palestra “Saúde e Doença nas
Organizações” e juntamente com Mauricio Ceschin (com quem escreveu o livro "A Saúde nos Planos de Saúde") analisou a questão da saúde, planos de saúde,
previdência pública, entre outros assuntos de grande relevância. O destaque foi
para Dr. Drazio Varella que deu um “puxão de orelhas” coletivo lembrando que acreditamos
ser “normal” ter diabetes e hipertensão! Metade da população brasileira está
acima do peso e para envelhecer bem é necessário não engordar e fazer
exercícios físicos permanentemente. As organizações tem um papel de grande
importância na conscientização, pois todos estão perdendo com a questão da
saúde. Cada um de nós tem a responsabilidade de cuidar de si, sendo PROTAGONISTA e vivendo com mais
qualidade.
Três
grandes líderes empresariais: Fabio Barbosa, Pedro Passos e Tania Consentino,
falaram sobre os “Caminhos e soluções das empresas para o momento Brasil”.
Entre os muitos aspectos abordados, o destaque foi a crise que o país
atravessa, que, na visão empresarial é grave, profunda e longa. Segundo Pedro
Passos, o último ciclo de governo criou o estado provedor, estimulou o consumo
com baixa produtividade. A produtividade do trabalho no Brasil não progride há
20 anos! Entre os fatores que afetam a produtividade: falta de investimento em
inovação tecnológica; necessidade de abertura do país à competição e a
eficiência da Gestão Pública. Fabio Barbosa acredita que a razão da distribuição
desigual de renda se deve à distribuição também desigual da educação no Brasil.
Além disso, vivemos uma crise ética e de confiança em uma sociedade que tolera
pequenos delitos, como por exemplo, furar fila. Citou um ditado Chinês que diz
“se cada um varrer a sua calçada o país estará limpo”. Tania Consentino disse
que a crise é política, econômica e ética e que devemos aprender boas lições,
especialmente mudando o nosso papel: sendo PROTAGONISTAS,
criando uma agenda positiva. As empresas estão investindo na educação, na
diversidade produtiva em times coesos, revelando e retendo talentos – gente de
bem com a vida, motivados a fazer a diferença, trabalhando em rede. Significado
é a nova moeda!
Paola
Carosella – Chef de Cozinha do MasterChef Brasil e Ana Paula Padrão –
Jornalista e apresentadora do MasterChef Brasil, entrevistadas por Leyla
Nascimento – Presidente da ABRH-Brasil, fizeram um comparativo entre o processo
de escolha dos candidatos e o desenrolar do reality show com os processos de
gestão de pessoas nas organizações. Foco especial: seleção – ter critérios bem
definidos é fundamental; desligamento – sempre dar feedback e transformar o momento em aprendizado; avaliação do
desempenho – sem influências; trabalho sobre pressão e ambiente adverso – os
profissionais tem que estar preparados para a os desafios, o treinamento é
muito importante e competências de liderança e capacidade de trabalhar em
equipe são imprescindíveis. Quem ajuda a empresa a crescer é o empregado, então
ele tem que crescer junto com a organização. Tem que ter técnica e tem que ter
alma!
Várias
organizações apresentaram seus casos de sucesso relacionados à gestão do
capital humano, com temas como reestruturação em tempos de crise, novas formas
de avaliação de desempenho, diversidade e inclusão.
Além
de tudo isso o CONARH teve nas palestras magnas a arte do Grupo Ares fazendo
aberturas fabulosas e do Grafiteiro Apolo Torres que desenhava painéis
inspirado pelos temas.
Os
Congressos de Gestão de Pessoas (CONARH) são elaborados com muito cuidado por
uma grande equipe de voluntários da Associação Brasileira de Recursos Humanos
(ABRH). Cada um desses eventos deixa uma palavra para a nossa reflexão e ação.
Este ano, em plena crise, a palavra de ordem do CONARH foi PROTAGONISTA!
Para
concluir, deixo a frase de Nelson Sirotsky, presidente do Conselho de
Administração da RBS, maior afiliada da Rede Globo no país: “Os brasileiros precisam ser protagonistas
das transformações do Brasil.”
*Virginia Spinassé é graduada em
Comunicação Social e Administração, especialista em Administração de Recursos
Humanos e Gestão de Negócios e Pessoas, Professora de curso de graduação e
pós-graduação em Alagoas e Pernambuco.

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